sexta-feira, 2 de setembro de 2011

As axilas de Joca

Morangos fatiados em pequenos cubos, suco de laranja tropical e pães importados. Joca esticava os braços em longas flexões, levantando da cama tamanho king-size. Do lado de fora, com batidinhas delicadas, a mãe lhe trazia o café da manhã, afagando delicadamente o rosto do pimpolho.

No andar de baixo, o chefe da casa lia o jornal, atento, preparando a caneca de café com símbolo empresarial e tirando as migalhas de pão francês do terno executivo. Ao redor, empregadas cantarolavam alegres, sempre sorrindo, sorrindo, sorrindo...

E cheirando. Era assim que Joca gastava o dia: cheirando as axilas para relembrar o último comercidal de margarina. Afinal de contas, o velho ponte de manteiga que comprava na quitanda da esquina cheirava a suor - forte como o dele.

Joca agradecia aos céus por ser tudo tão real.

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