terça-feira, 6 de setembro de 2011

Pr(l)azer

Aos oito anos incompletos

- "Romualdo, larga já essa faca! Que coisa de maluco é essa? E essa baba na boca? Esses olhos estrupiados, quase saltando das órbitas? Tá com o diabo no corpo, menino?"


Aos vinte anos

"- Porra, seu filho da puta! Você é louco? Quase jogou a porra desse carro ponte abaixo. Que merda é essa? Quer morrer, seu merda? Eu nem terminei de pagar o carnê da televisão. Porra, que olhos são esses?"

Aos trinta e nove anos

-" Rominho era tão bom menino, não era, Dona Lô? Filho bom, marido dedicado... Tá certo que ele tinha umas manias estranhas, né? Gostava de umas coisas que mais parecia filho do demo. E aqueles olhos..."

Estremecimento

Do outro lado, em um espaço indefinido por metafísicos, céticos e carolas, Romualdo sorria feliz. A derradeira dor é sempre mais oportuna.

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