domingo, 26 de fevereiro de 2012

O triste fim dos olhos de vidro (parte 1)

Era a paciente número 1476. Sua doença? Olhar através de espelhos. Em casa, colecionava mais de cento e setenta e sete. Todos aqueles feixes de luz sempre mostraram o reflexo de muitos olhos: pretos, castanhos, azuis, verdes, acinzentados...

A internação veio quando, distraída, quebrou um dos espelhos: o maior, central: antigo, enferrujado, com um cinza que encanece o azul. Os restos dos vidros, rasgando e entrando na carne, mostraram à ela que aqueles olhos eram apenas reflexos. E os reflexos eram os que ela própria construía. Foi estapafúrdio, doloroso demais! Enlouqueceu. Ainda está lá, em um dos leitos psiquiátricos de Sorocaba.

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